http://youtu.be/Q522za6PeP
palavras ao ar
Em todos os momentos e lugares, a todo tempo, cerca-nos com sua presença passageira. Nos leva e traz, sentidos, sentimentos. O raptamos do mundo, e o devolvemos modificado. Muitos nem o percebem, pois é invisível. Já 'pertenceu' a outros lugares, pessoas, épocas. Nos toca agora, e a todo momento nos envolve. Em brisa se mostra presente, e é onde lanço minhas palavras, para que se espalhe mundo afora, aos sensíveis, seu tato, mutante e silencioso.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Muito ou tempo pouco? A quem veio e foi, a quem vou e virá.
Quando: tempo faz.
A mim o tempo há!
A ti, tanto sem tempo: Tempo a ti, que tanto falta.
Qual a falta que te fraqueja? Em quem falta a falta, é forte?
Faz na falta um fraco vento.
Do vento fraco faz-se a falta?
Faz do vento, visita, a gente ver?
Traz a tempo, vento, quem vem me ver!
Quanto falta, quando tanta!?
Quando a falta vir ou ir: vem com o vento que venho ver.
Vindo, contigo eu vou.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Algo que toque, que doa, atice.
Algo que não se explica, arrepie.
O ar gelado no momento certo.
Barulho do vento na pausa dramática.
Quente na bochecha. Frio na barriga.
O segundo anterior ao primeiro beijo.
O minuto depois do último.
O grito e depois a trégua.
A testa no pé da amada.
O milho grudado no joelho.
O ar dentro do copo.
O toque esperado.
A ânsia e o tato da face na pedra.
A lágrima que não sai.
A palavra que não existe.
O momento antes do sopro da vela.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
entupido de nada
ânci
vaz
no
peito
ench
o
talo
aténãopodermais
de
comid
fumeremed
tossescuro
preto
do
carbono
dacinzadafumaça
nacarnexposta
mordiscacachorro
cinzaepoeira
dasquatroparedes
apertaperta
pracabercabeçanaTV
somesquecenãovê
solnascenahorerrada
ahorapramimnãotádemãodada
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
ecos de agonia ltda

Levanta, senta e perambula em círculos sem nenhum objetivo
Passeia por letras sem conseguir concentrar-se em nada
O livro aberto, alheio às baforadas da janela
Suor escorre e pinga ao tremor do corpo
Reflexo do ser inquieto nas negras telas desligadas
Som do pulso acelerado atravessa tic-tac do ponteiro, mistura quase inaudível, mas terrivelmente perturbadora
caixas de entradas vazias
corredor surdo atrás porta
ruídos longínquos de evoé ecoados no ouvido de lata vazia
Dentro do ser, espécie de formigamento parece soar como trezentas cigarras desesperadas
Cinzeiro cheio, xícara suja de café, maço vazio
e nada
nada mais
além de um gosto amargo, e tremores
vácuo inexplicavelmente vibrante
um vazio que poderia ser preenchido com leitura, se conseguisse
Pálido rosto suado se funde na atmosfera tom amarelo seco
Inexistente som contínuo ecoa no corpo em curto circuito
entre destroços indecifráveis da alma
do vazio e desnorteado ser
Nenhum vestígio do que aconteceu
se é que aconteceu.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
abstração
Nem sempre conseguimos sobrepor um querer sobre um não querer distinto.
É justamente por ser intrínseco à vida que estes estados nos envolvem, tornando muito difícil respirar outra atmosfera; talvez seja possível realmente, depois de muita busca, achar um espaço onde já não sinta. E neste, já então modificou-se. É justamente nesta busca incansável que é lutar contra si próprio, no conflito de vontades, que achamos conseguir fugir disto, que nos aparece a cada momento.
Quanto menos forte for este estado, mais facilidade há de contorná-lo.
Algumas coisas nos atingem, mas são apenas um dos leves temperos do todo. Outras vezes nos encharca um balde tão denso e quente, que não é fácil deixar de percebê-lo.
Alguns simplesmente vivem com este molho a arder e nada fazem para aproveita-lo melhor.
Outros se afogam nos sabores, prazeres e dores, de acordo com a maré.
Há também os que se agarram em uns temperos fortes, e não enxergam bem o que mais lhes aparece.
É justamente esta distinção de vontades, de sentidos, que diferencia cada um de nós, de acordo com o grau evolutivo.