segunda-feira, 6 de junho de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Muito ou tempo pouco? A quem veio e foi, a quem vou e virá.

Quando: tempo faz.

A mim o tempo há!

A ti, tanto sem tempo: Tempo a ti, que tanto falta.

Qual a falta que te fraqueja? Em quem falta a falta, é forte?


Faz na falta um fraco vento.

Do vento fraco faz-se a falta?

Faz do vento, visita, a gente ver?

Traz a tempo, vento, quem vem me ver!


Quanto falta, quando tanta!?

Quando a falta vir ou ir: vem com o vento que venho ver.

Vindo, contigo eu vou.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Algo que toque, que doa, atice.
Algo que não se explica, arrepie.
O ar gelado no momento certo.
Barulho do vento na pausa dramática.
Quente na bochecha. Frio na barriga.
O segundo anterior ao primeiro beijo.
O minuto depois do último.
O grito e depois a trégua.
A testa no pé da amada.
O milho grudado no joelho.
O ar dentro do copo.
O toque esperado.
A ânsia e o tato da face na pedra.
A lágrima que não sai.
A palavra que não existe.
O momento antes do sopro da vela.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

entupido de nada

entup
ânci
vaz
no
peito

ench
o
talo
aténãopodermais

de
comid
fumeremed


tossescuro

preto
do
carbono
dacinzadafumaça

nacarnexposta
mordiscacachorro

cinzaepoeira
dasquatroparedes

apertaperta

pracabercabeçanaTV
somesquecenãovê

solnascenahorerrada

ahorapramimnãotádemãodada

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ecos de agonia ltda

Inspira profundamente à procura do ar que parece não satisfazer
Levanta, senta e perambula em círculos sem nenhum objetivo
Passeia por letras sem conseguir concentrar-se em nada
O livro aberto, alheio às baforadas da janela
Suor escorre e pinga ao tremor do corpo

Olhos correm por fotografias e quadros empoeirados
Reflexo do ser inquieto nas negras telas desligadas
Som do pulso acelerado atravessa tic-tac do ponteiro, mistura quase inaudível, mas terrivelmente perturbadora

O telefone mudo sobre a mesa
caixas de entradas vazias
corredor surdo atrás porta
ruídos longínquos de evoé ecoados no ouvido de lata vazia

Dentro do ser, espécie de formigamento parece soar como trezentas cigarras desesperadas
Cinzeiro cheio, xícara suja de café, maço vazio
e nada
nada mais
além de um gosto amargo, e tremores
vácuo inexplicavelmente vibrante
um vazio que poderia ser preenchido com leitura, se conseguisse

Pálido rosto suado se funde na atmosfera tom amarelo seco
Inexistente som contínuo ecoa no corpo em curto circuito
entre destroços indecifráveis da alma

Violão desafinado parece encarar e rir da ignorância
do vazio e desnorteado ser
Nenhum vestígio do que aconteceu
se é que aconteceu.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

um brinde a tempestade que trouxe a trégua
ao silêncio, que veio ao sono

brindo o malfeitor, que clarificou
e a lágrima que já se foi

sábado, 6 de junho de 2009

abstração

Os sentimentos são antes da razão. O estado do ser é uma mistura de vontade com realidade, de história com presente.
Nem sempre conseguimos sobrepor um querer sobre um não querer distinto.
É justamente por ser intrínseco à vida que estes estados nos envolvem, tornando muito difícil respirar outra atmosfera; talvez seja possível realmente, depois de muita busca, achar um espaço onde já não sinta. E neste, já então modificou-se. É justamente nesta busca incansável que é lutar contra si próprio, no conflito de vontades, que achamos conseguir fugir disto, que nos aparece a cada momento.
Quanto menos forte for este estado, mais facilidade há de contorná-lo.
Algumas coisas nos atingem, mas são apenas um dos leves temperos do todo. Outras vezes nos encharca um balde tão denso e quente, que não é fácil deixar de percebê-lo.
Alguns simplesmente vivem com este molho a arder e nada fazem para aproveita-lo melhor.
Outros se afogam nos sabores, prazeres e dores, de acordo com a maré.
Há também os que se agarram em uns temperos fortes, e não enxergam bem o que mais lhes aparece.
É justamente esta distinção de vontades, de sentidos, que diferencia cada um de nós, de acordo com o grau evolutivo.